Colunas sobre comunicação, trabalho e tecnologia, com foco nas mudanças e tendências que atravessam as organizações e a sociedade. Cada texto conecta fatos, ideias, atores e experiências para reconhecer as tramas que as explicam e compreender melhor o contexto em que se manifestam.
Butler
O valor de ir um pouco além: quando um mais um é mais que dois
Há alguns dias, encontrei uma conversa de Sam Altman, cofundador e CEO da OpenAI, com estudantes de Stanford, que me fez refletir sobre um conceito oriundo do desenvolvimento da inteligência artificial, mas que provavelmente diz muito sobre várias outras coisas: as propriedades emergentes.
No ecossistema corporativo atual, prestígio e reputação se tornaram ativos tão valiosos quanto o patrimônio financeiro. No entanto, em um ambiente hiperconectado e de elevada exigência por parte dos cidadãos, a fronteira entre a narrativa e a realidade se tornou mínima. Para a alta direção no Uruguai, o desafio já não está apenas em elaborar manuais robustos de conformidade, mas em assegurar que a cultura organizacional — e especialmente o comportamento de seus líderes — respire esses mesmos princípios em cada transação, por mais cotidiana ou pequena que pareça. O mesmo ocorre com as autoridades governamentais, para as quais a honestidade não é medida pelo tamanho da falta nem pela rapidez com que ela é corrigida, e a opinião pública não perdoa.
A economia real é movida por um impulso profundamente humano: a ousadia de assumir riscos. No Uruguai, o verdadeiro motor do desenvolvimento não são os planejamentos estatais, mas essa força silenciosa de empresários que, em diferentes setores de atividade, escolhem investir, inovar e construir futuro.
A frase do título, popularmente atribuída a Winston Churchill, refere-se à ideia de crise como um evento disruptivo, repentino e limitado no tempo; nas empresas, implica um potencial impacto importante sobre o negócio e a reputação. No entanto, a realidade das organizações no Uruguai mostra outra faceta: o que poderíamos chamar de “crises de contexto”. Nem sempre se trata de um erro operacional ou de um acidente; com frequência, a maior ameaça é o descompasso entre a dinâmica dos negócios e um ambiente regulatório que avança em outra velocidade.
Diz o ditado popular que “por muito cedo que se levante, o sol não nasce mais cedo”. Temos no Uruguai muitos outros ditados populares que atentam contra o nosso futuro. Que aqui tudo chega mais tarde, que somos um país pequeno, que o ano só começa quando chega o último ciclista... são algumas ideias muito arraigadas em nossa cultura que, embora possam parecer simpáticas a muitos, na verdade revelam uma triste realidade que nos prejudica como sociedade.
Todos os dias acompanhamos uma narrativa sobre o que vivem nossa sociedade e o mundo. É uma seleção de acontecimentos elaborada por profissionais do jornalismo que cumprem um papel importante ao escolher os temas “de interesse público”.